Páginas

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

POEMA A VIAGEM


A VIAGEM

Num dia de solidão
Concebi uma viagem
Desde então a minha vida
Conheceu uma viragem
Esvoacei até ao infinito
Avistei um mundo esquisito
Um primeiro a apregoar milhões
Povo apenas com miragens
Onde apenas chegam tostões
As farturas no reino
Pareciam ser tantas
Eram bravatas afinal
De quem veio falar de beatas
Aconteceu em Portugal
Um país de beleza natural
Onde há homens
De tamanha pequenez
Foi assim que Deus os fez
A apregoar riquezas
Onde apenas há mesquinhez
Que caminho segue Portugal?

Daniel Costa

terça-feira, 5 de outubro de 2010

POEMAS UM HOMNEM SÓ


O QUE É A FILATELIA?


Alguém me perguntou um dia

Com um misto de seriedade e ironia

Que era isto da filatelia?

*****

Desprevenido com tanto que se desconhecia

Naquele instante responder não podia

Meditar no tema eu havia

*****

Como chegasse hora de nostalgia

Estudando meus selos viera a alegria

Enfim… a resposta já sabia

*****

Para começar diria

Coleccionar selos a todos servia

Com eles, de prazer a alma se enchia

*****

Com selos o Universo se conhecia

Os pecados do mundo se esquecia

Como motivação, isto não bastaria?

***

Escrito na revista FRANQUIA, número 23, Dezembro de 1976

Por Daniel Costa

POEMAS UM HOMEM SÓ


AMOR NA GUERRA

Amor na guerra
Vivendo o conflito
A paz que se desterra
A ternura no dito
Equacionar amor em guerra
Poderá parecer esquisito
Porém momentos de paz
Esperam do infinito
A ternura virá por correio
Arma do bendito
Amor de guerra
Horas da individualidade
Pensa-se no direito à vida
Escreve-se com saudade
O conflito nem sempre dura
Lá longe, muito longe
Chegará a hora da candura
Na guerra pode sorrir-se
Vislumbrando a ternura
Enquanto se luta
Procura-se a honra com bravura
Pensar no amor
Jamais será loucura

Daniel Costa

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ



LUA-DE-MEL
LUA DE FEL

Um dia conversei
De algo, não é assim tão normal
Como não é banal eu sei
Alguém questionou
Que é a lua-de-mel?
A pergunta aflorou:
Não haverá apenas no papel
Ou a infelicidade por mim passou
Chamaria a pós união lua de fel
No caso, tal afirmação
Em cavaqueira serena
Fez meditar então
Mundo com algo de vil
Desejar uma união
Um campo que devia ser garrido
Para plantar a desilusão
Oh mundo vil
Pensar só em semear confusão
Haverá doença mental
A deixar rasto de desunião
Que devemos fazer?
Para obter a felicidade então?
Vejo o sonho, a fantasia
O optimismo sempre à mão
Julgam que não perfilho
A eterna sensibilidade, o filão?
Mundo enganador
Mundo onde em meio
Pode estar mesquinhez
Dizer sem receio
Repetir outra vez

Daniel Costa

domingo, 3 de outubro de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


RAIMUNDA

É de Açailandia do Maranhão
Não da Imperatriz do mesmo Estado
Será imperatriz da paixão
A mulher Raimunda
Mulher elegantemente bonita
De sensualidade profunda
Mãe atraente
Desvelada, filho risonho feliz
Mulher mãe ao largo contente
É assim a Raimunda apaixonada
Sofrerá interiormente?
Lutou, conseguiu o que quis
O que teve em mente
Para atingir ser inteiramente feliz
Irá ter de lutar eternamente
O escudo será o petiz
Um poeta terá o condão
O Condão de imaginar o que diz
Raimunda minha amiga
Atingirás a plena felicidade
Lutas, caminhos aplainas sem fadiga
O quanto és bela interiormente
O poeta te conhece, que o diga
Raimunda mãe
Mulher
Mulher de bem
Mulher criadora
De felicidade também

Daniel Costa

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

POEMA PERGUNTEI AO VENTO


PERGUNTEI AO VENTO

Num dia de menos alento
Intui, reflecti
Perguntei ao vento
Na governação
Afinal aonde há talento?
Ascender a altos cargos
Orientar a Nação
Não será apenas intenção?
O talento pode desprezar-se
Trepa-se com menção
Marca-se ponto na mesa
Na mesa da reunião
A subida por fora
A intriga, a intenção
Sempre a sugar, não a ganhar
Empresas de todos, da Nação
Se perdem, não há que importar?
Quanto mais rápido tiver de sair
Mais irei ganhar
Pagarão caro
Porque me preocupei a fingir pensar
Pensar a sério, não cuidei
Espera outro lugar
Está sempre em aberto
O Éden, quiçá o lupanar
O povo terá sempre direito à esperança
Como assim é, paga sem pestanejar
Enquanto sereno volteia na dança
Sempre tem o direito de votar
Quem mais prometeu ganhou
Governar bem, não esqueceu falar
Passou o furacão, a ventania
E o talento a boiar
Boas e palavrosas intenções
Arrastou-as o sublime vento
Passaram muitas gerações
Onde mora afinal o talento?

Daniel Costa



POEMAS UM HOMEM SÓ


MEDALHAS

Recordações amadas
Como as medalhas são
Carinhosamente guardadas
Medalhas representam
Da vida, pequenos nadas
Há medalhas de colecção
Podem representar
Um tema, um criador de devoção
Bastas vezes editadas
Para uma comemoração
Também para perpetuar
Qualquer distinção
Casos há em que de per si
Se transformaram em colecção
Há diplomas escritos
Mencionando o objectivo da doação
Mais ou menos bonitas
Representam dedicação
Ouro, prata dourada, bronze
Consoante se julga e a menção
O poder económico
Também é tomado em atenção
Grandes e pequenas
Merecem reflexão
Representam
Períodos de devoção
Acabam por representar valores
Grata recordação
Variadas procedências mundiais
Os motivos estão registados
Nos seus próprios anais

Daniel Costa