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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


VELHO ELÉCTRICO

Desembarcando dum Cacilheiro
A primeira vez a Lisboa passei
Chegava do Algarve
Era noite, viajava via Barreiro
Estava a meio de uma odisseia
Uma viagem sem parceiro
Percorri a pé a Rua
Do Terreiro do Paço
Até à Praça da Figueira, primeiro
Aí o Metro tomei
No subterrâneo viajei
A minha primeira vez
No Campo Grande
A ligação ao Eléctrico apanhei
Foi em Novembro
De sessenta e um,
Sempre recordarei
Mais tarde muitas vezes
No velho Carro Eléctrico andei
Lá ia ele prazenteiro
O da Graça
Sempre à roda, num vai e vem
Os da Avenida da Liberdade
Passavam muito também
Praça do Chile, Benfica
Prazeres, Cais do Sodré
Sempre num vai e vem
Estrela, Xabregas, Dafundo
Amoreiras, Morais Soares, Arieiro
Avenida Almirante Reis primeiro
Gomes Freire era, pois ainda é!...
Carnide, Alto de S João
Pois então
Pampulha, Alcântara, Ajuda
Tudo tinha sentido
Eléctricos em qualquer ocasião
Ficaram alguns para turistas
Ainda os elevadores
Da Glória, do Lavra, da Bica
O artístico de Santa Justa
Visões de verdadeiro artista
Carros Eléctricos formavam um mundo
A velha Lisboa
Movimentava-se nos amarelos
Transportes do povo de então
Aqui uma recordação

Daniel Costa

domingo, 15 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


VERÓNICA

O Rio de Janeiro
Tendo calor humano
Tem também um famoso Outeiro
Mais a poetisa Verónica
Bela de olhar prazenteiro
Questionei-me um dia
Sobre a Rádio Graça
Que de Lisboa transmitia
Da Rua da Verónica
Onde ficaria?
Perto da velha Alfama
Para lá da Mouraria
Tal como a rádio
Comunicava e transmitia
A Verónica pensamentos emite
Na sua belíssima poesia
Gosta-se da elegante Verónica
Conheceremos a que do seu livro foi guia
Verónica mãe
Mulher forte segundo a sua poesia
Por ser forte, não deixa de ser bonita
É como uma flor
Quem a conhece dela gosta, tem dita
De ser amigo afinal
De uma poetisa elegante e bonita

Daniel Costa


sábado, 14 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


MUSAS

Todo o poeta tem musas
Musas são modo de pensar
Não serão imagens difusas
Antigamente eram as sereias
Os bonitos luares
As luas cheias
A lua o homem devassou
Deixaria de alimentar veias
Ficou sempre a imagem
Como a das sereias
Nunca acabaram as musas
São imagens, são inspiração
Podem parecer difusas
Não inspiram paixão
São como serigaitas
Amor de comoção, platónico
Gosta-se delas, inspiram
São como um intróito
Passam cheias de graça
O nosso olhar enternecido
Não é chalaça
É uma musa que passa

Daniel Costa

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


SALVATERRA DE MAGOS

Não é região de lagos
É Salvaterra
A Salvaterra de Magos
Na Borda D’Água
Margem Sul do Tejo
Na planície onde não há mágoa
Vila em pleno Ribatejo
Onde há vários festivais
Como a do Foral, dos Toiros, não vejo
E do Fandango, Meus deuses!...
A toirada e o toiro terão o maior ensejo
Nos campos o campino
Montado no cavalo, porte que invejo
Durante uma semanada
Na Avenida, frente à arena
Dá-se a largada
A Avenida enche-se de areia
De larga, torna-se pequena
Ali o monumento evocando o campino
Como que feliz de ver
Tanta gente em cena
E a vasta Avenida
Transformar-se da bravura arena
Fica ao rubro o entusiasmo
Às tábuas, chega o boi, qual fera serena
Quanto mais o animal se mostra bravo
O homem mais desafia
A bravura na segunda semana de Junho
Por ambas as partes dura o dia
Destreza e ligeireza
Em Salvaterra de Magos, no Ribatejo
Há colorido, há força, há beleza

Daniel Costa

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ

Serralves, Porto - Portugal
Foto: Isabel Almeida

MUNDOS

Ao meu redor vejo a beleza do mundo
Esse eterno paraíso profundo
Muitos o vêem como abismo sem fundo
Porém é como amar! Ama-se um bem
Afinal não é o que convém?
O meu mundo é de encantar
Sempre aparecem escolhos a desbravar
Se não houvesse uma face a aplainar
Nem haveria o mundo de amar
Teríamos muitas cenas de entediar
Não haveria em que pensar
Olhemos o firmamento
De um lado escuro como breu
Do outro luz, o azul do Céu
Olhemos de frente o escuro como breu
Enquanto não chega a luz que prometeu.
Se não nos mover um objectivo de fé
Tudo passa e nem sabemos o que é
O mundo sempre gira
Estejamos atentos á corda que se nos atira
Vem numa face e sempre mira
Estejamos atentos a esse pedaço de safira
Que nos espera e se nos atira
Não percamos tempo com a mesquinhez
Assim não a vemos, nem talvez
Antes que vá embora de vez

Daniel Costa

terça-feira, 10 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


VALENITA

Valenita
Alma de mulher reluzente
Jóia brilhante
Simples e sorridente
Parece sorrir às plantas
Será da botânica confidente
A bonita mulher
Sabe estar elegantemente
Aprecia a música urbana
Como “Os Etnia” evidentemente
Caetano Veloso, Sá Magrão
Milton Nascimento
Porque não?
Adora a alma do Cartola
Que em vida atraía
Fazia escola
Valenita ouve confiante
Adora ver e ouvir ao vivo
No Rio de Janeiro evidentemente
Mulher sem pressa
Esbelta, elegante, sorridente
Dos deuses promessa
Botânica adora simplesmente
Biologia, sociologia
É-lhe indiferente

Daniel Costa

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


LOUCURA

Dizem que sou louco
Dizem
Que me importo
Convivo feliz com a loucura
Amo o mundo
Amo a ternura
Esse manto de brandura
Afastando sofreguidão
Não…
Não vivo num universo
De ilusão
Sei que muitos choram
Porque não têm pão
Encolhem ombros, que mansidão!
Será hipertensão?
Doçura, remédio na escassez!
Deixem-me ser louco
Digam-me que os grandes
Se preocupam um pouco
Apelo à humanidade
Enquanto justiça do alto espero
Esperar humildade e candura
Dos grandes que apenas almejam
Fazer figura
Fazer da justiça bravura
Bendita loucura
A denunciar um mundo de loucos
Fingindo que pensam
Muitas promessas
Para muito arrecadar
Depois muito a poucos dar
Oh loucura!
Olhai a robustez
A dos loucos de vez

Daniel Costa