terça-feira, 29 de junho de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ



JULIÃO

Na tasca da Bernarda
Bebericando o copo da pomada
Julião regressado da jornada
Vinha de longe, a noite avançava
Cear?
Não queria saber de nada
Tinha de visitar a Bernarda
De dentro do Balcão
Mulher danada
Ao mocho saltava
Com os dedos a tamborilar
Dançava uma espécie de fandango
Em cima do mocho dançava
A acompanhar a dança
Cantava:
Dizem por ai que sou mocho
Dizem-me frouxo
Também lanzudo
Serei cornudo?...
Más línguas!…
Poderei ser tudo
De dia trabalho, mexo o chão
Ao som do garrafão
Oh Bernarda!...
Traz mais uma canada
A minha noite será animada
Pensarei com a alvorada
A minha loucura será parada
O Julião era outro, na madrugada
Parecia alma penada
Sempre assim quando aparecia
A estrela d’alva
A anteceder a sua alvorada

Daniel Costa

Sem comentários:

Enviar um comentário