segunda-feira, 12 de julho de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


HORTA DO ARNEIRO

Olhando aquele espaço
Vazio de ressequido restolho
O que podia ser regaço
Da mãe natureza
Cru, seco vazio, vazio
Com um veio de água, uma tristeza
Chegara a TV a Portugal
E o Arneiro de triste singeleza
Estava na adolescência
Conseguira um trabalho em beleza
Concerto de estrada
Lourinhã a Ribamar, uma grandeza
Passava ao pedaço do Camarão
Jamais esquecia Pedrógãos
O luar da Eira o cultivo vinícola do Fanfarrão
Mas meus deuses
O espaço do Arneiro vazio e sensaborão!
Perpetuava-se um pecado
Com o caudal de água à mão
Dum sonho meu nasceu
Uma clandestina horta, um senão
O Aneiro havia de ser trabalhado
Ao Domingo e ao serão
Um dia, o pai Zé
Ao Domingo na tasca
Que se veio a transformar em café
O segredo estoirou, alguém o abordou
Que maravilhosa horta tens Zé!
E o Arneiro ali à mão
Bonito? Não dera Fé!
De quem o alertara não duvidou
Ficara como louco
A tradicional enxada afagou
Foi visitar o Arneiro
O Arneiro o deslumbrou
Do feito do petiz
Ficara feliz e tacitamente colaborou
Viera a mobilização para guerra de África
Três anos, a erosão, o sonho secou
Ao ver de novo o seco restolho
Fez-se luz, outro sonho, o de Lisboa restou
A horta foi lição
Dez anos depois, de degrau em degrau
Outro mundo, o das letras era o campo então
De vida, aos vindouros
De várias, que não se usam, vivi, deixo uma lição
Era petiz de dezassete anos
Foi sonho ontem, sonho vivido então

Daniel Costa

2 comentários:

  1. Quanto talento você tem!
    Parabéns.

    Bjos

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  2. Dani, que lindo!
    A Carmela me avisou desse seu novo blog.
    Vim correndo ver.
    Vou falar p/ Lita, ela vai adorar.

    Bjim.

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