quarta-feira, 14 de julho de 2010

POESIA UM HOMEM SÓ


VINDIMA

Moita dos Ferreiros
Certa noite atravessei, numa Caminhada
Rumo ao Casal Torneiro
Dirigia-me a uma vindimada
Ali perto do Bombarral
Mantimentos iam no bornal
O patrão Chico Bento
Encarregara de arranjar o grupo
O Américo do Casal
Quinze dias, o desterro
Que soou a liberdade celestial
Dormir na palha era banal
Sustento, batatas cozidas
Chicharro seco e Sardinhada
Sardinha prateada, como se fora para banquete
Aparecia na madrugada
Consistia, em cortar uva, a jornada
De formosa ramada
Cada cesto de pau, quando cheio
Encosta acima a despejar na tina
Para o lagar era transportada
Dezasseis anos, da vida sabia nada
Ouvia historietas, ao som de sorrisos
Fixei uma bastante engraçada
Caso de infidelidade
Vi, dizia o homem:
Foi mesmo de pé, mulher danada
Retorquia esta:
Não gostaste de estar na taberna encantada?
Cesto vazio, cesto cheio
Encosta acima
Vindima terminada
Vinte e dois mil e quinhentos por jornada
O rapaz, se também merecia, os levava
A terminar, uma ceia de adiafa
Festa com bacalhau, alto como nunca vi
Mais as batatas, grande tachada!
Na própria adega
O forte tinto carrascão refrescava
Depois do adeus e da última dormida
O grupo encetou a abalada.
Daniel Costa

1 comentário:

  1. *
    Amigo
    vindimei as tuas palavras
    no vinho novo da vida
    meia encosta, terras altas,
    num Cartaxo carrascão !
    ,
    Abraço,
    ,
    *

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