domingo, 18 de julho de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


Um dos quadros de rendas de bilros, de Peniche,
que actualmente decoram as paredes da sala,
 onde a minha mãe fez rendas, com perfeição e preseverança,
até pouco antes da sua morte



RENDAS DE BILROS

A verdade é salutar
Falar em rendas de bilros
É folclore, é falar do mar
Falar delas, das de Peniche
O século passado é recordar
A cidade de Peniche
Delas era um altar
Nos anos quarenta sabia ler
Com emoção ouvia o doce marulhar
O artesanato das rendas
Eram complemento da economia familiar
Minha doce e analfabeta mãe
Era uma rendilheira de encantar
A dedilhar os bilros
Lia-lhe histórias de pasmar
Garoto ainda, do café e das bolachas
Fazia-me participar
Executava ela os furos dos piques
Os moldes, as linhas, eu a traçar
Na noite sentia-se e ouvia-se
Por vezes, um doce marulhar
Outras a rebentação
Essa sensação de encantar
Depois as alterosas ondas
As rendas fizeram inspirar
Respeitoso medo e sensação
Os desenhos das rendas
As próprias, nasceram dessa oscilação
Desse encantamento
Da ondulação

Daniel Costa
Texto e foto

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