sexta-feira, 3 de setembro de 2010

POEMAS UM HOMEM SÓ


NAMBUANGONGO

Ir a Nambuangongo era como ir à cidade
Nos idos de sessenta e dois e tenra idade
Pela UPA era considerado um reino
Que entretanto, pelo lendário Maçanita
Havia sido retomado, com astúcia e treino
Delimitado pelo rio Lifune,
Por guerrilheiros, pontes destruídas
Tentando cortar avanços, à tropa determinada
A Muxaluando passava uma picada
Entre Vista Alegre e o Lifune, a sua ponte
Ali estava, com a tentativa destruidora ficava
Em Vista Alegre de boas recordações
Tropa do Maçanita, teve ordens, avançava
Depois Nambuangongo retomava
Em Nambuangongo a gente ri depois
Enquanto nas cantinas, se bebericavam
Cucas, em grupos de talvez dez, mais dois
Novidades flutuavam, uma em que os turras
Atacaram, furavam tachos
Em Portugal
Digamos, que pela primeira vez
Um tal, com apodo de Totobola comandava
Ufano da avioneta vociferava
Amigos: mulheres bastantes tinha, até desprezei
Em corridas de automóveis participei
Aqui do alto, as minhas tropas comandarei
Um outro, Tenente-Coronel, fazia espectáculo
Como bobo de qualquer rei
Todas a manhãs fazia preparação física
O risível método consistia em rebolar no chão
Munido de pistola aos tirinhos
Entre acampamentos, onde havia protecção
Sempre bizarrias de superiores oficiais
Eram horas de liberdade rir e dizer
Olhem os exemplos, vejam os tais!
Em Nambuangondo rir inocentemente, não era demais

Daniel Costa
Foto: arquivo Daniel Costa

1 comentário:

  1. Daniel,

    adorei a foto do seu arquivo e mais um poema feito de lembranças.

    Carinhoso beijo, amigo.

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